Conselho de oração
Libertem uns aos outros
A história de Lázaro nos convida a todos à ressurreição aqui e agora! Jesus nos chama para sair do túmulo e entrar na plenitude da vida, para experimentar o consolo do amor e da paz de Deus hoje, e não em algum momento distante no futuro. Muitas vezes é mais fácil permanecer no túmulo, mas Jesus quer mais para nós e diz: “Lázaro, vem para fora”. Às pessoas, Jesus ordena: “Desatai-o, deixai-o ir” e, então: “Retiraram a pedra”. Nesta história de libertação, recebemos uma nova perspectiva sobre o poder da fé e do amor. Esta é uma mensagem para que todos nós nos afastemos da cultura da morte, ajudemos a desatar uns aos outros e permitamos que nós mesmos e os outros emerjamos para a luz. Ser salvo, neste sentido, é ser curado, é experimentar a restauração. Em um sentido global, significa reconhecer que “a injustiça não é invencível” (Laudato Si’, 74). No coração desta história está o fato de que o amor pode vencer tudo, até mesmo a morte e o desespero. Todos nós podemos participar desta vida ressuscitada, no amor e na paz, hoje. Jesus vem para que tenhamos vida em plenitude (João 10,10).
Tríona Doherty and Jane Mellett, Águas Profundas: Uma Jornada com os Evangelhos Dominicais no Ano de Mateus
Fomos criados à imagem de Deus
Tudo na criação possui sua própria beleza peculiar e sua maneira única de glorificar a Deus. Isso deveria nos levar a refletir sobre o tempo que desperdiçamos invejando uns aos outros. Se me pego sentindo inveja, sei que perdi de vista a natureza gloriosa e singular — dada por Deus — de quem sou. Quem você deve ser? É óbvio: você deve ser você mesmo!
Criados à imagem e semelhança de Deus, o nosso verdadeiro eu está escondido em Cristo, o Novo Adão. O Filho único de Deus veio para nos mostrar quem somos e para nos ajudar a nos tornarmos plenamente nós mesmos. Pode parecer estranho, mas jamais seremos o nosso verdadeiro eu enquanto não encontrarmos Jesus Cristo, o Filho de Deus, e passarmos a conhecê-lo e amá-lo como o maior dom do Pai para a criação. É por meio de Jesus que somos libertados para ser quem devemos ser.
No início de sua jornada, São Francisco orava: “Quem és Tu, Senhor, e quem sou eu?” Francisco passou a compreender que, quanto mais Deus se revela a nós, mais conhecemos quem realmente somos — quem devemos ser. O nosso verdadeiro eu está oculto em Cristo, à nossa espera (Colossenses 3,1–11). Não nos tornamos quem devemos ser por meio da inveja e da competição. Vamos nos acomodando, cada vez mais, em nosso verdadeiro eu à medida que começamos a perceber que somos amados incondicionalmente por quem somos.
Liam Kelly OFM, Mensageiro do Sagrado Coração, Outubro 2024
Pergunte ” O quê eu posso fazer?”
Algo que se ouve muito hoje em dia é: “Em que tipo de mundo estamos vivendo?” Começamos falando sobre Gaza, Israel, Ucrânia e uma lista de lugares no mundo atual marcados por guerras, divisões e pobreza, além da maneira dura como tratamos uns aos outros. Podemos deixar que isso nos abale. Algumas perguntas podem ajudar. Posso fazer algo a respeito? O que posso fazer em relação a Gaza? Muito pouco. Mas isso não significa que eu deva perder o interesse ou deixar de me indignar com a situação. Podemos fazer algo, ainda que pouco, em relação a essa e a muitas outras situações. Podemos, por exemplo, entrar em contato com alguém que tenha familiares trabalhando nessas regiões e oferecer ajuda financeira. Além disso, será que estou certo no que digo? Fiz a lição de casa para entender qual é realmente a situação? Com muita frequência, dividimos as pessoas em todos os lugares entre “vilões” e “mocinhos”. Há pessoas boas na Ucrânia e na Rússia. Há pessoas más em ambos os lugares também. Converse com as pessoas, leia relatos confiáveis; certifique-se de conhecer os fatos. Esperamos e oramos por aqueles que trabalham — muitas vezes correndo grande perigo pessoal — em prol da paz, da prosperidade e de uma vida digna para os milhões de pessoas que não desfrutam dessas condições.
Donal Neary SJ, The Sacred Heart Messenger, Julho 2024
“Tu tens o teu agrado em mim.”
Querido Senhor, um dos cartões mais carinhosos que já recebi trazia apenas quatro palavras: “Eu simplesmente amo você”. Naquela época, isso era o que eu mais precisava ouvir. E, Senhor, preciso sempre ouvir isso de Ti.
Recebi uma grande ajuda quando, há alguns anos, o Papa Francisco escreveu em *A Alegria do Evangelho* (n. 6): “No fim das contas, somos infinitamente amados”. Essa afirmação grandiosa a teu respeito, ó Deus, significa que, por mais que eu Te decepcione, Tu te agradas comigo tal como sou. Sou radicalmente amado; Tu tens uma visão totalmente positiva a meu respeito. Os terapeutas tentam, com maior ou menor êxito, desenvolver uma consideração positiva incondicional por seus clientes; caso contrário, a relação terapêutica jamais deslanchará. Isso reflete, em nível humano, a consideração que tens por cada um de nós. A relação entre Ti e mim só pode prosperar nessa atmosfera. Permite-me, pois, acreditar — independentemente das histórias negativas que carrego desde a infância — que ninguém pode amar-me como Tu amas, que jamais te afastas de mim por desespero ou tédio e que nada pode aumentar ou diminuir o Teu amor por mim.
Brian Grogan SJ, I Am Infinitely Loved (Sou Infinitamente Amado” – tradução livre)
Aceite e Saboreie a Beleza que Vemos
A jornada da vida é, por vezes, repleta de tamanha beleza. Todos nós faríamos bem em desacelerar e apreciar essa beleza com mais frequência. Muitas vezes, deixamos que ela passe despercebida. Contudo, há momentos em que a percebemos. Às vezes, reconhecemos que estamos diante da beleza e nos permitimos congelar o tempo — permanecer nessa presença. Nesses instantes, temos consciência suficiente para vivenciar verdadeiramente a beleza. Embora tais momentos talvez não ocorram com frequência, quando surgem, costumam ser profundamente emocionantes. Eles nos conectam a uma verdade fundamental: não importa o sofrimento existente no mundo (e há sofrimento neste mundo) ou em nossas vidas (há e haverá sofrimento em nossas vidas), também existe beleza. Não podemos explicar por que é assim; podemos apenas aceitar que é assim.
Essa aceitação é algo difícil de alcançar. No entanto, ao aceitarmos o sofrimento, também nos libertamos para aceitar e saborear ainda mais a beleza que vemos e vivenciamos no mundo.
Experimente rezar pelos outros: guarde em seu coração, em oração, todos aqueles que sofrem neste momento; guarde em seu coração, em oração, todos os enfermos; guarde em seu coração, em oração, todos aqueles que não veem — ou não conseguem ver — beleza em suas vidas neste instante.
Jim Deeds & Brendan McManus SJ, Finding God in the Mess (Encontrando Deus na Confusão – Tradução livre)
Seremos recompensados Pelo Nosso “Sim”
Dizer “sim” é uma parte vital do nosso relacionamento com Deus; é a nossa liberdade de dizer “não”. Muitas vezes, ao olhar para trás, vejo claramente que disse “não” (mesmo que, na época, não entendesse isso como um “não” a Deus). Graças a Deus, também consigo recordar momentos em que disse “sim”. Dizer “sim” a Deus nos capacita a ser uma presença viva de amor, alegria e misericórdia neste mundo. O nosso “sim” sempre nos leva a amar e valorizar a nós mesmos, aos outros e ao mundo ao nosso redor.
Na história e na tradição cristãs, há inúmeras pessoas que disseram “sim”: Maria, Jeremias, Moisés e Pedro, por exemplo. Os “sins” deles foram importantes. Eles talvez não soubessem exatamente para o que estavam dizendo “sim”, mas tinham a sabedoria de reconhecer que Deus estava pedindo e que deveriam dizer “sim”.
Se você se deparar com um “sim” difícil, lembre-se de que está em boa companhia com aqueles que o antecederam. Saiba também disto: aqueles que dizem “sim” recebem o dom necessário para esse “sim” (assim vemos Pedro, o pescador sem instrução, tornar-se um erudito e líder de um novo movimento — um santo). Você também receberá o dom para o seu “sim”.
Jim Deeds & Brendan McManus SJ, Finding God in the Mess (Encontrando Deus na Confusão – Tradução livre)
Qualquer Boa Ação Feita Com Amor Tem Uma Qualidade Eterna.
Nossos esforços podem parecer pequenos e fúteis, mas muitos episódios dos Evangelhos revelam o tema recorrente de que Deus se importa com as pessoas e as coisas simples. Pense na oferta da viúva e na multiplicação dos pães e peixes (Marcos 12,41-44; 8:1-9). Em Caná, a água sem graça se transforma no melhor vinho (João 2,1-12); na Última Ceia, o humilde pão e vinho se tornam o corpo e o sangue do Senhor (Lucas 22,19-20). A vida de cada pessoa, por mais discreta que seja, influencia todas as outras (Romanos 14,7). Qualquer boa ação, por menor que seja, feita com amor, tem um caráter eterno, porque o amor não tem fim (1 Coríntios 13,8) e colheremos sua recompensa na época da colheita (Gálatas 6,9). Isso nos dá a esperança de que nossas pequenas contribuições em prol do nosso planeta doente tenham seu próprio valor simbólico. Juliana de Norwich expressa essa esperança:
Deus me mostrou uma coisinha, do tamanho de uma avelã, na palma da minha mão. Olhei para ela e pensei: “O que será isto?” E me foi respondido: “É tudo o que foi criado.” Maravilhei-me com a sua durabilidade, pois pensei que, por ser tão pequena, pudesse ter desaparecido repentinamente. E me foi respondido: “Dura e sempre durará, porque Deus a ama. E assim todas as coisas têm o seu início pelo amor de Deus.” Nessa coisinha, vi três verdades: a primeira é que Deus a criou; a segunda é que Deus a ama; e a terceira é que Deus a guarda em segurança.
Brian Grogan SJ, “Caminhada da Criação: A Incrível História de um Pequeno Planeta Azul” (tradução livre)
Que Maravilhas O Todo-Poderoso Fez Por Nós
Embora Maria tenha falado apenas algumas vezes no Novo Testamento, sua personalidade e caráter têm inspirado inúmeros fiéis desde então. E não apenas católicos. Maria atrai milhões de pessoas a santuários em todo o mundo. Além de santuários famosos como Guadalupe, Lourdes e Fátima, existem muitos outros santuários marianos ao redor do mundo que atraem fiéis de outras religiões.
A vida de Maria foi um sim em resposta a um amor que transcendia todos os seus sonhos. Maria tomou uma decisão em resposta a uma dádiva. Ela recebeu a dádiva de um encontro com Deus, que se aproximou tanto dela que a carne humana de seu Filho unigênito foi formada em seu ventre. No centro da vida de Maria estava essa história de amor com Deus, uma história de amor que, idealmente, também pode estar no centro de nossas vidas.
Como toda boa mãe, Maria nos conecta com a dimensão afetiva de nossas vidas e nos liberta para sermos receptivos a Deus. O primeiro passo em direção a Deus não é uma questão de teoria. Tampouco é um exercício apenas de força de vontade. Muitas vezes, trata-se de abrir o fluxo essencial de nossas vidas para que estejamos prontos para caminhar em direção à confiança, à bondade e ao amor. Facilmente nos apegamos a maneiras desgastadas de fazer as coisas. Mas encontrar a profundidade de Maria é um convite humilde para vivermos a partir das profundezas de nós mesmos. Ela nos ajuda a ir além da nossa superfície e a nos ancorarmos em uma base que remonta às gerações de Abraão e Sara, e até mesmo as antecede. Ela nos ajuda a ver as maravilhas que o Todo-Poderoso fez por nós. Ela nos capacita a nos alegrarmos em Deus, nosso Salvador.
Thomas G. Casey SJ, Maria em Diferentes Tradições (tradução livre)
Esteja Aberto À Graça De Conhecer A Divindade E A Humanidade de Cristo.
O Monte Tabor é o lugar onde Pedro, Tiago e João viram Jesus no esplendor da sua glória. Eles viram a divindade que estava oculta pela humanidade. Este dia marca o alvorecer da fé dos apóstolos em quem Jesus é e na Sua vida divina. Na Sua humanidade e na Sua identidade plena, Ele é a imagem de Deus. Eles O reconheceram porque O conheciam como homem. E então ouviram a voz que disse: “Este é o Meu Filho amado” (Mateus 17,5).
Aquela voz já havia falado antes — no batismo de Jesus. Mas naquela época, só Jesus a ouviu. Agora, Jesus está sendo revelado aos seus discípulos como o Filho de Deus. “Este é o Meu Filho amado”. É interessante o que acontece a seguir. Deus então diz: “Escutem-nO”. Escutar a palavra de Deus é uma das maiores graças de um cristão. Na Missa, inclinamo-nos diante do lugar da Palavra — é Cristo quem fala na leitura da Palavra — assim como nos inclinamos diante do pão e do vinho no altar. Na palavra e no sacramento, Jesus fala e está presente na Igreja.
Jesus também falou sobre o futuro, deixando os apóstolos saberem que aquele dia só seria plenamente compreendido quando Ele ressuscitasse dos mortos. Então eles entenderiam o significado completo da Transfiguração e poderiam se permitir, por algum tempo, refletir sobre o que significaria “ressuscitar dos mortos”.
Pedro, Tiago e João jamais esqueceriam este dia. Aliás, Pedro escreveu sobre ele em sua primeira carta. Podemos nos abrir a esta graça de conhecer a divindade e a humanidade de Cristo e de crer profundamente em nossos corações que um dia seremos transfigurados, de modo que nossos corpos mortais se tornarão semelhantes ao dele.
Donal Neary SJ, Mensageiro do Sagrado Coraçãor August 2024
Nosso Objetivo É Viver Plenamente Na Presença De Deus.
Quando temos um bom relacionamento com Deus, o espírito maligno tenta nos perturbar, causando ansiedade, frustração, insatisfação e tristeza. Não devemos entrar em seu campo de batalha cedendo à tentação ou discutindo com esses pensamentos ou impulsos prejudiciais. Se o fizermos, provavelmente perderemos a batalha. Em vez disso, devemos retornar calmamente à presença de Deus. Como diz o livro de Êxodo: “O Senhor lutará por vocês; fiquem tranquilos” (Êxodo 14,14).
O exemplo de Maria nos ensina que a verdadeira alegria vem da união com a fonte de toda alegria verdadeira: Deus. Quanto mais unidos a Deus, menos perturbados somos por ansiedades, medos e dores. Não precisamos nos defender dessas investidas, porque a própria presença de Deus é a nossa defesa. Mesmo enquanto Maria estava na Terra, era como se já estivesse no céu, pois vivia plenamente na presença de Deus, sempre adorando aquele que a preenchia de luz e alegria. E, à medida que sua vida se aproximava do fim, a luz que sempre brilhara em seu coração se intensificava cada vez mais. Ela elevava todo o seu ser, como se quisesse arrancá-la da Terra e levá-la para onde seu espírito já se elevava, para que pudesse cantar seu belo Magnificat em gratidão a Deus para sempre.
Thomas Casey SJ, Sorriso de alegria: Maria de Nazaré